
"... O importante é virem dizer-me que ninguém vem ao mundo sózinho
que cada um de nós tem o seu grupo algures,
talvez encontrado, talvez a encontrar,
a sua familia cósmica,
gente que anda connosco através dos tempos
a evoluir em conjunto,
com um plano comum para cumprir,
uns ao serviço dos outros tanto no amor como no ódio,
que sempre é o inimigo aquele com quem mais temos a aprender,
que nos faz avançar,
aquele que melhor nos confronta com as nossas fragilidades,
o que nos vai permitir conhecermo-nos,
para mais rapidamente mudar.
Sei hoje que devo agradecer do mais fundo
do coração
a todos aqueles que se me opõem, ou opuseram,
a todos os que me obrigaram e obrigam a exceder
as próprias capacidades
para os vencer,
me vencer e ultrapassar.
Vencê-los é vencer as minhas fragilidades, só há pouco
percebi isso,
vencê-los é neutralizar em mim o que me expõe,
seja o meu desejo de agradar ou ser excepcional,
seja a minha ambição ou carência emocional.
...
Pelo apoio que me deram
ou possam vir a dar
agradeço também a todos os que me amaram
amam ou virão a amar, embora saiba que o amor não se agradece,
o amor ama-se
retribui-se em expressões de amor.
Ser inexpugnável é ser inteiro
é ser solidário sem ser dependente de quem se apoia
ser amoroso sem carência de amor.
in "
Os Portais do Tempo" de Antónia de Sousa