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06/01/13

Encontrar a Mulher Selvagem



Chamo-a de Mulher Selvagem porque essas exalas palavras, mulher e selvagem, criam llamar o tocar a la puerta, a batida dos contos de fadas à porta da psique profunda da mulher. Llamar o tocar a la puerta significa literalmente tocar o instrumento do nome para abrir uma porta. Significa usar palavras para obter a abertura de uma passagem. Não importa a cultura pela qual a mulher seja influenciada, ela compreende as palavras mulher e selvagem intuitivamente.

Quando as mulheres ouvem essas palavras, uma lembrança muito antiga é acionada, voltando a ter vida. Trata-se da lembrança do nosso parentesco absoluto, inegável e irrevogável com o feminino selvagem, um relacionamento que pode ter se tornado espectral pela negligência, que pode ter sido soterrado pelo excesso de domesticação, proscrito pela cultura que nos cerca ou simplesmente não ser mais compreendido. Podemos ter-nos esquecido do seu nome, podemos não atender quando ela chama o nosso; mas na nossa medula nós a conhecemos e sentimos sua falta. Sabemos que ela nos pertence; bem como nós a ela. Foi dentro desse relacionamento essencial, fundamental e básico que nascemos e na nossa essência é dele que derivamos.

O arquétipo da Mulher Selvagem envolve o ser alfa matrilinear. Há ocasiões em que vivenciamos sua presença, mesmo que transitoriamente, e ficamos loucas de vontade de continuar. Para algumas mulheres, essa revitalizante “prova da natureza” ocorre durante a gravidez, durante a amamentação, durante o milagre das mudanças que surgem à medida que se educa um filho, durante os cuidados que dispensamos a um relacionamento amoroso, os mesmos que dispensaríamos a um jardim muito querido.

Por meio da visão também temos uma percepção dela; através de cenas de rara beleza. Costumo sentir sua presença quando vejo o que no interior chamamos de pôr-do-sol divino. Senti que ela se mexeu dentro de mim quando vi os pescadores saindo do lago ao escurecer com as lanternas acesas e também quando vi os dedinhos dos pés do meu filho recém-nascido, todos enfileirados como grãos de milho doce na espiga. Nós a vemos sempre que a vemos, o que ocorre por toda a parte.

Ela também chega a nós através dos sons; da música que faz vibrar o esterno e que anima o coração. Ela chega com o tambor, o assobio, o chamado e o grito. Ela vem com a palavra escrita e falada. Às vezes uma palavra, uma frase, um poema ou uma história soa tão bem, soa tão perfeito que faz com que nos lembremos, pelo menos por um instante, da substância da qual somos feitas e do lugar que é o nosso verdadeiro lar.

Essas efêmeras "provas da natureza" vêm durante a mística da inspiração — ah, ela está aqui; ai, ela já se foi. O anseio por ela surge quando nos encontramos por acaso com alguém que manteve esse relacionamento selvagem. Ele brota quando percebemos que dedicamos pouquíssimo tempo à fogueira mística ou ao desejo de sonhar, um tempo ínfimo à nossa própria vida criativa, ao trabalho da nossa vida ou aos nossos verdadeiros amores.

Contudo, são esses vislumbres fugazes, originados tanto da beleza quanto da perda, que nos deixam tão desoladas, tão agitadas, tão ansiosas que acabamos por seguir nossa natureza selvagem. É então que saltamos floresta adentro, em meio ao deserto ou à neve, e corremos muito, com nossos olhos varrendo o solo, nossos ouvidos em fina sintonia, procurando em cima e embaixo, em busca de uma pista, um resquício, um sinal de que ela ainda está viva, de que não perdemos nossa oportunidade. E, quando farejamos seu rastro, é natural que corramos muito para alcançá-la, que nos livremos da mesa de trabalho, dos relacionamentos, que esvaziemos nossa mente, viremos uma nova página, insistamos numa ruptura, desobedeçamos as regras, paremos o mundo, porque não vamos mais prosseguir sem ela.

Uma vez que as mulheres a tenham perdido e a tenham recuperado, elas lutarão com garra para mantê-la, pois com ela suas vidas criativas florescem; seus relacionamentos adquirem significado, profundidade e saúde; seus ciclos de sexualidade, criatividade, trabalho e diversão são restabelecidos; elas deixam de ser alvos para as atividades predatórias dos outros; segundo as leis da natureza, elas têm igual direito a crescer e vicejar. Agora, seu cansaço do final do dia tem como origem o trabalho e esforços satisfatórios, não o fato de viverem enclausuradas num relacionamento, num emprego ou num estado de espírito pequenos demais. Elas sabem instintivamente quando as coisas devem morrer e quando devem viver; elas sabem como ir embora e como ficar.

Quando as mulheres reafirmam seu relacionamento com a natureza selvagem, elas recebem o dom de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária, um oráculo, uma inspiradora, uma intuitiva, uma criadora, uma inventora e uma ouvinte que guia, sugere e estimula uma vida vibrante nos mundos interior e exterior. Quando as mulheres estão com a Mulher Selvagem, a realidade desse relacionamento transparece nelas. Não importa o que aconteça, essa instrutora, mãe e mentora selvagem dá sustentação às suas vidas interior e exterior.

Portanto, o termo selvagem neste contexto não é usado em seu atual sentido pejorativo de algo fora de controle, mas em seu sentido original, de viver uma vida natural, uma vida em que a criatura tenha uma integridade inata e limites saudáveis. 

Essas palavras, mulher e selvagem, fazem com que as mulheres se lembrem de quem são e do que representam. Elas criam uma imagem para descrever a força que sustenta todas  as fêmeas. Elas encarnam uma força sem a qual as mulheres não podem viver.

Estes ,Clarissa Pinkola, Mulheres Que Correm Com os Lobos


25/07/09

MUDAR O MUNDO

A auto-consciência é a chave para o trabalho de transformação e cura.

A transformação pessoal pode exigir ou mudança de atitudes, comportamentos, relacionamentos e ambientes.

A vida desafia-te a libertares-te de padrões inconscientes profundamente enraizados (que se manifestam em pensamentos, emoções e padrões de comportamento). Ao transformares uma camada dessa bagagem pessoal, rapidamente vais encontrar outras e diferentes camadas de bagagem.

Descobrir as nossas camadas de personalidade pode parecer um processo sem fim, porque os padrões estão muito identificados com o que sentimos que somos. Por exemplo, é diferente dizer “Eu sou assim” e dizer “Eu escolho ser assim.”

Ao aceitarmos os nossos padrões e reconhecendo que já não servem o nosso Bem Supremo e assumindo a responsabilidade de os mudar estamos a começar a mudança para aquilo que queremos ser.

Quando achamos que não precisamos mudar algo na nossa vida, é para aí mesmo que temos que olhar para confirmar se não criámos um véu de auto-ilusão.

É importante estarmos conscientes [para continuar a ler clique aqui].

01/07/09

A VIAGEM DA VIDA


A vida é uma viagem, uma aventura e tem desafios que testam os nossos limites.
Fazer esta viagem centrados, fortalece-nos.

Ao contrário do que muitos pensam, os desafios não servem como testes da vida para nos derrotar e saber se somos suficientemente bons (isso a Vida sabe que somos, apesar de muitos de nós não aceitarmos que somos). A vida testa-nos para abrirmos o nosso coração e a nossa mente para novas direcções, perspectivas, oportunidades e aspectos de nós mesmos.

A vida pede-nos que estejamos presentes em cada passo da aventura, que nos mantenhamos unos com o Todo e em sintonia com a nossa Alma. Ao fazê-lo podemos abraçar e manifestar os nossos mais altos desígnios, concretizar os nossos sonhos mais ousados e caminhar na Vida com Amor e Consciência.

Se olhares para a tua vida, irás perceber que os tempos de desafios foram os que trouxeram maior e mais profundo crescimento. Muitas vezes, só o conseguimos ver à distância quando navegamos mares mais serenos.

Isto não quer dizer que todas as transformações tenham que ser feitas só através da dor. Até porque se nos mantivermos centrados a dor não se instala de forma tão vincada.
Ao estarmos mais conscientes e presentes na Vida a duração e intensidade dos desafios ajustam-se à nossa vibração.
Os testes da vida são oportunidades que são aproveitadas consoante nós as percebemos e o que fazemos com essa percepção.
Independentemente do aconselhamento, ensinamentos passados e actuais, da educação, inteligência a ou da nossa vontade para mudar a direcção da nossa vida, as nossas reacções e respostas são quase sempre automáticas, reflexas e inconscientes.

São poucas as vezes em que nós reflectimos, consciencializamos sobre a nossa situação actual e agimos com a consciência do que é melhor para o nosso Bem Supremo.

Qualquer que seja o desafio, cada acontecimento da nossa vida é uma oportunidade de aprendizagem e crescimento e que exige a nossa total participação.

Apesar de ninguém desejar o sofrimento, se quisermos, os desafios tornam-nos mais fortes, felizes e mais presentes.

Muitas vezes, não aceitamos a vida como ela se nos apresenta. Então lutamos contra, rejeitamos, maldizemos e ignoramos as fantásticas janelas de oportunidade. Gastamos a nossa energia nessa batalha, morrendo lentamente e afastando-nos de nós.
Quando nos apercebemos, a Vida continuou exactamente da forma que tinha que ser. E sentimo-nos derrotados, perdidos e sem tempo, sem chão, sem Alma, quase em respiração assistida.
Mas se acreditarmos que a Vida é sábia e flui sempre a nosso favor, então, até as perdas se revelam maravilhosas oportunidades.

Sugiro que este mês olhemos as nossas perdas, reconheçamos que partes de nós perdemos pelo Caminho. Vamos ouvir aquela voz que sussurra (ou grita!) dentro de nós por um novo ar para respirar por si e vamos perguntar-nos como podemos resgatar-nos para viver uma Vida com mais Paixão, Alegria, Leveza e Amor. Especialmente por nós mesmos.

Voltemos agora ao nosso Centro.

26/04/09

A INSATISFAÇÃO NA NOSSA VIDA

Nos últimos tempos, tenho ouvido as pessoas queixarem-se de estarem insatisfeitas. Parece que mesmo as que têm os bens e a família com que sempre sonharam se sentem insatisfeitas. Também há as que não têm nada do que querem ou que nunca conseguem alcançar o que querem ou pouco conseguem alcançar.

Isto fez-me pensar sobre o papel da insatisfação nas nossas vidas. Pessoalmente vejo a insatisfação como motor para ir atrás do que quero. É a insatisfação que me faz sair da minha zona de conforto e procurar o que quero, que me faz perceber que posso e mereço mais.

Não deixo, no entanto, que a insatisfação me impeça de apreciar o que sou e tenho agora.

Nem aceito que tudo o que sou e tenho é fruto do acaso, do destino ou o que seja. A minha vida é resultado dos meus pensamentos, das minhas emoções, dos meus desejos, das minhas escolhas e das minhas acções e não-acções.

Nem tudo está como eu quero, mas é exactamente isso que me faz avançar para algo melhor. Até porque hoje quero para a minha vida coisas (bem) diferentes do que queria há um ano, por exemplo. Acima de tudo, recuso-me a pensar que não tenho o poder de mudar a minha vida actual.

Se há algo na minha vida que não me agrada, pergunto-me:

  • O que fiz eu para chegar aqui? Ou o que não fiz?
  • Que voz existe dentro de mim que me impede de ser mais do que sou?
  • Será que eu acredito que o que me define como pessoa são as coisas que tenho, o que os outros pensam de mim? Ou são os meus valores, o meu interior, o que penso de mim mesma?
  • O que permito que ainda exista na minha vida que me bloqueia, que me impede de ser a pessoa que posso ser?
  • E se "tudo" está mal, vou baixar os braços?
Sei que muitas pessoas estão a ler isto e a pensar “se tu soubesses os problemas que eu tenho…”.

Claro que não sei. E ainda digo mais: não tenho que saber. Porque se eu soubesse, tal como os seus amigos e familiares, até era capaz de lhe dar umas quantas soluções (afinal eu estou de fora, não estou ligada emocionalmente às situações e não tenho nada a perder), mas que não seriam as SUAS soluções para a SUA vida.

Independentemente dos nossos problemas e limitações (reais ou não), todos nós, todos, todos, todos somos seres maravilhosos, fortes, capazes e criativos. E porque você também é assim, as suas soluções são as melhores para si.

E de onde vêm as suas soluções? Do seu Coração em equilíbrio com a sua mente.

Pergunte-se “O que quero para mim?” E oiça, sinta o seu Coração. Aquele impulso interior feliz e ousado que nos faz sonhar. É a sua Alma a falar. E a Alma quer sempre muito mais do que nós pensamos ser capazes ou merecedores. Por isso, não descarte nada do que o seu Coração quer. Aceite. Simplesmente aceite sonhar.

Até pode parecer um sonho (ou sonhos) impossível de concretizar. Talvez não agora, já a correr. Mas isso não quer dizer que tenha que desistir dos sonhos da sua Alma. De todo!! Crie as condições para a concretização dos seus sonhos!

Em vez de se perguntar “Será que o meu Coração está certo?”, ou de dizer “Não conseguirei isto nunca.” pergunte-se antes “Como é que posso alcançar o que o meu Coração quer?”.

Ou seja, não questione o impulso do seu Coração, mas use a mente, a razão para ter um plano com a melhor forma de seguir esse impulso. Pode ser um plano a curto, médio ou a longo prazo. Mas não desista. Siga os seus sonhos, mesmo os mais ousados!

Faça uma lista do que quer. Adoro fazer listas de sonhos! As listas ajudam a trazer para a matéria o seu sonho. Escreva nessa lista coisas concretas.

“Ser feliz” é vago, muito vago. Todos queremos ser felizes, mas como é isso de ser feliz? O que é preciso para sermos felizes? Para uns pode ser ter uma casa, para outros ter um filho, para outros um trabalho que gostem. Como há pessoas que gostam de ser ousadas nos sonhos (e ainda bem!!) ser feliz é ter uma casa, um filho e um emprego que gostem Mas como é a casa? Que emprego é esse? E o filho é para já, será só um filho?

O que quer concretamente? Escreva, detalhe os seus sonhos!

Depois meta mãos à obra. Comece a dar pequenos ou grandes passos. Não fique à espera de uma varinha mágica. Você faz parte do seu sonho! Envolva-se na manifestação do seu sonho!

Como estamos em constante mudança, lembre-se de se ir ligando ao seu Coração. Pode ser necessário fazer algumas adaptações.

No fundo, o que lhe estou a dizer é que a sua insatisfação não tem que ser uma “cruz”, mas pode ser um propulsor para uma vida melhor.
Ligue-se ao seu coração para sentir o que a sua Alma quer. A seguir use a mente para saber qual poderá ser o caminho até essa meta. E aja até manifestar os seus sonhos.

E deixe a Vida fluir. Aproveite, usufrua do caminho.

08/04/09

CARTA DE UM CORAÇÃO ABERTO

Há uns dias, a propósito de injustiças, uma amiga comentava comigo "Gosto muito de Deus, mas, às vezes, Ele deixa-me algo confusa”.

Aquela frase lembrou-me que, durante anos, andei, não confusa, mas zangada com Deus.
Não entendia muito do que se tinha passado comigo, desde muito nova.
Ser filha de Pais separados desde muito pequena, não ter uma família unida como as das minhas amigas, estar longe dos meus irmãos, as tentativas de abuso por diversos homens na minha infância, a falta de uma bússola coerente na minha vida.
O resultado foi uma profunda solidão interna, o crescimento prematuro emocional e psicológico para sobreviver, muitas escolhas equivocadas na minha vida, em especial quanto aos homens que escolhi para formarem comigo uma família, e uma frustração crescente.

SEGUIDORA ESPIRITUAL
Tudo isto me levou a criar uma falta de fé em mim mesma que ainda sabota algumas áreas da minha vida.
Esta falta de fé em mim e num potencial que todos viam, menos eu, fez com que entregasse o meu poder a outras pessoas. Os outros sabiam melhor sobre o que fazer com o meu potencial. Achava eu.
Tornei-me uma seguidora, em especial de "Professores Espirituais".
Analisando com honestidade a minha vida , sei que nunca fui uma seguidora. Sou uma líder. Mas tenho tendência para me esquecer disso.

Ser-se um seguidor em termos espirituais é um risco muito grande. É o nosso poder entregue a um deus menor (porque também há ali uma Sombra que se alimenta da força da nossa Luz e da nossa própria Sombra). Colocamo-nos numa posição potencialmente auto-destrutiva.

Percebo agora que ser seguidora tinha um duplo papel. Para mim, tornava-se algo confortável, porque não tinha que manifestar a minha criatividade. Mas, também ,era uma forma de ceder à vontade de quem eu seguia, de se sentir especial, superior e dono da verdade. À superfície tudo parecia bom, bonito e saudável. Eu sentia que era uma Amizade mútua verdadeira, sem interesses e honesta.

RENASCER

A verdade é que, estando eu muito consciente do meu caminho espiritual, comecei a sentir o apelo da minha Alma. A minha Alma insurgia-se contra esta minha postura de "seguidora".
Há tanto para criar em mim, para viver o que realmente sou que era insustentável manter-me ali.

De alguma forma, quem eu seguia pressentiu esse grito da minha Alma e ajudou no processo.
Doeu muito. Não o afastamento, não o deixar de ser seguidora, mas doeu a forma como tudo aconteceu, os elos de Amizade que se quebraram e como permiti que, durante dias me dissessem, directa e indirectamente, o que quiseram dizer, humilhando, insinuando, sem qualquer respeito, amor ou compaixão, escondendo-se com a máscara "é para teu bem".

Durante dias, semanas, essas palavras e gestos ressoaram dentro de mim. Combati-as com todas as minhas forças, para não deixar que destruir-me por elas, como profissional, como amiga, como mulher, até como cidadã.
Virei para dentro. Ouvi os meus Aliados Espirituais que me enviaram todo o tipo de mensagens, inclusive através de Anjos que vivem na Terra e que, nos meus piores momentos, me mostraram que a minha Luz é muito maior do que a minha Sombra.

Ao mesmo tempo, numa altura de tão grande reboliço interno, montava o meu novo espaço. E terminava, inesperadamente, uma relação com mais um homem com quem queria formar uma família.

Mas desta vez não me zanguei com Deus. Percebi que Deus sabe bem o que faz. Deus estava a mostrar-me um caminho novo dentro de mim.
A fé e o amor-próprio começaram a emergir, com vigor e determinação.
Indignei-me, não com Deus, mas com as pessoas e situações envolvidas. Zanguei-me, chorei (chorei muito), bati o pé. Não só com os outros, mas comigo também.
Depois, finalmente, consegui, pela primeira vez, ser condescendente comigo mesma, enrolar-me e chorar, pedir ajuda e receber colo, de dizer a mim mesma "pára, esquece as responsabilidades e deixa-te estar".

Aceitar a Luz e a Sombra em mim permite descobrir-me na Vida. Aceitar que estava num momento muito escuro, muito sombrio, senti-lo plenamente, e vivê-lo ajudou-me a passar por tudo mais rapidamente.
E algo extraordinário aconteceu: deixei de me sentir uma vítima, uma sobrevivente.

Sou uma renascente. Cada uma destas pequenas mortes, me ajudou a renascer. Todas as pequenas mortes na minha vida me ajudaram a renascer, permitindo-me descobrir e viver o que realmente Sou.

A falta de uma estrutura familiar convencional, deu-me espaço para crescer sem limitações. Deu-me também abertura para encontrar boas oportunidades em todas as circunstâncias, situações e pessoas, para encontrar sempre o lado bom em tudo. Alguns chamam-me optimista idealista, eu vejo-me como uma descobridora. Descobrir o bom em tudo e em todos, ajuda-me a usufruir a Vida com o que tem para dar, mesmo que não seja tanto quanto o que eu estou à espera.

O PERDÃO

E, assim, hoje não estou nada zangada com Deus. Nem estou zangada com ninguém sequer. Muito menos comigo mesma.
Estou grata por tudo e a todos os que me colocaram desafios, porque me ajudaram a concretizar o que sou e a manifestar o que quero na minha vida.
Isto quer dizer que me esqueci do que me aconteceu? Que perdoei? Que libertei tudo? Não.
Não esqueço, porque faz parte da minha vida e ajudou-me a chegar ao ponto fantástico em que estou hoje.
A algumas pessoas e situações já perdoei. A outras não.

Para mim, o perdão não é uma simples palavra. É algo muito mais profundo.
Tenho direito a indignar-me, a revoltar-me. Não o fazer é negar não só a experiência, como as minhas emoções. É varrer para debaixo do tapete o mais essencial do se ser ser humano: as emoções.
Tenho aprendido que, como somos todos UM, as nossas acções (as mal e as bem intencionadas) podem ser forças destrutivas na vida dos outros. Viver sem a consciência da Unidade a que pertencemos, torna-nos carrascos de nós mesmos, porque tudo o que fazemos a outro, acabamos por fazer a nós mesmos.
Por isso, quando alimento a raiva pelo outro (atacando-o ou mantendo-me como vítima) estou a alimentar a raiva por mim mesma. E quando liberto com perdão profundo, as minhas acções podem ser impulsionadoras não só na minha vida, como na dos outros.

Por isso, depois de me indignar, preciso de olhar para o que as situações e as pessoas espelhavam de mim, aceitando que o que me foi mostrado pelos outros já existia dentro de mim. Pergunto-me "Como posso reverter isto a meu favor? Como posso transformar este momento-Sombra numa Vida de Luz?". Isto faz com que me sinta parte do processo de cura. Faz com que me sinta com poder para mudar o futuro (afinal há um Deus dentro de mim!).

Se entender esta lição da vida, já não preciso de passar por ela novamente. Vou passar por outras, mas isso faz parte de estar vivo, realmente vivo!
Perceber as lições por trás de cada experiência, evita que eu alimente a raiva e ajuda-me a chegar um estado de gratidão e à libertação. À minha libertação!!

Estar grata não é aprovar o que aconteceu, o que os outros escolheram fazer (mesmo que estivessem a servir de meu espelho). É tornar a dor em algo maior.

Quando chego a esta fase, não preciso que me peçam perdão, que reconheçam o mal que me fizeram. Só preciso de mim para me libertar. Mudo a minha perspectiva e a minha reacção. Eu posso viver o que os outros fazem ou são mantendo-me centrada com a minha Luz, ciente de quem Sou.É a minha postura perante mim própria que determina a importância do que os outros fazem. Quanto mais me liberto do poder que os outros têm sobre mim, mais perto fico do perdão.

Uma das lições mais importantes que retiro dos acontecimentos dos últimos meses é que Sei quem Sou. Se não soubesse, não conseguiria passar por estes desafios da forma que o faço.
Também é verdade que os Anjos na Terra me ajudaram com o seu Amor. Continuo a acreditar na Amizade, na pura e verdadeira.

Hoje posso dizer que me estou a libertar gradualmente. Nunca me senti tão criativa, criadora, empreendedora e confiante.
Por isso, hoje, consigo escrever sobre isto. Cheguei finalmente a um porto seguro dentro de mim em que posso abrir o coração, ser vulnerável.

UM DEUS MAIOR
Os verdadeiros Professores Espirituais são os que nos inspiram a descobrir quem somos, com Amor. Mesmo que o que somos seja diferente que eles são e acreditam. São os que se colocam numa posição de verdadeiros aprendizes, porque todos somos Professores. São todos os que se cruzam connosco e somos nós mesmos.
Porque, também, dentro de cada um de nós vive um Deus Maior.

Por Cláudia Félix Rodrigues (www.1000caminhos.com)

29/01/09

ABRIR ESPAÇO PARA A CURA

Depois de alguns meses dificeis e atarefados, as peças do puzzle começam finalmente a encaixar.

Percebo agora que não adianta adiar olhar para o que precisa de cura na nossa vida. Muitas vezes não o fazemos porque temos medo de perder. Mas quanto mais medo temos, mais atraímos a perda, mais força damos à Vida para nos recolocar no caminho da nossa Alma.

Mais uma vez, a Vida me mostrou que quando entregamos, libertamos o que precisa de cura, então abre-se espaço para a cura. Já não estamos a reter algo doente e isso é uma mensagem para o Universo de que não queremos doença e sofrimento na nossa vida.

E, então, a cura pode acontecer e o que libertámos pode retornar saudável à nossa vida. Mesmo que não volte, pode ser curado e seguir o seu destino. E novas coisas e novas pessoas mais saudáveis e equilibradas têm espaço para entrar na nossa vida.

Afinal foi essa a mensagem que enviámos ao Universo e o Universo responde sempre na mesma energia que lhe enviamos.

27/01/09

CRIA O QUE HÁ EM TI

Em 2006, recebi uma mensagem num sonho. Na altura não entendi de imediato a mensagem, tal era a profundidade da mesma: Cria o que há em ti.

Uns meses depois consegui descodificar esta mensagem e a cada passo que dou vai caindo mais um pouco do véu. Desta vez, mais um pouco do véu caiu quando estava o traduzir para português as Notícias sobre Transmutação de Janeiro e Fevereiro da Sandra Ingerman.

A cada terapia, a cada Curso, a cada texto, a cada gesto ou palavra, sinto que estou a criar o que há de mais verdadeiro e puro em mim.

Quando tomamos a responsabilidade da nossa Vida, quando trilhamos um Caminho próprio que traz Paz ao Coração, estamos a (re)assumir um papel que sempre tivemos: ser Co-Criadores da nossa Existência.

Não precisa mudar a sua vida para ser Co-Criador. Basta assumi-la, deixando de lado a resignação e deixando de pôr as responsabilidades de tudo aquilo que acontece no exterior, nas outras pessoas ou num Deus castigador. Tudo o que tem, foi atraído por si.
Antes de dizer que não, peço-lhe que, por uns minutos, permita que essa hipótese exista. Só reconhecendo que isso pode acontecer é que poderá olhar com Verdade para a sua Vida. Contemple a hipótese de tudo o que existe de bom e menos bom ter sido atraído por si.

Agora que já assume a sua responsabilidade, vire-se para dentro e procure em si, no seu interior, na divindade dentro de si e perceba porque atraiu essas coisas. E quando perceber (não espere perceber tudo de repente, dê tempo para que as respostas comecem a aparecer), vai começar a sentir-se menos vítima e com mais poder. Vai estar a resgatar o seu Poder Pessoal.

É que se é responsável pelo que de bom e mau tem ou vive, então, é possível mudar a sua Vida. E quem pode mudar? VOCÊ!!

Podemos não conseguir mudar o passado, mas podemos mudar a forma como o vemos e sentimos. Comecemos realmente a assumir o papel de protagonistas da nossa vida.
Comecemos pelos nossos pensamentos. Faça afirmações positivas do que quer para si, desapegue-se do que pensa ser seu para poder receber o que é realmente para si, deixe de se preocupar tanto com o Ter e tente SER .

A Vida não precisa de ser uma luta constante. A Vida pode ser um tempo de aprendizagem e Alegria. E, se você deixar, pode fluir como um rio (por vezes mais depressa, por vezes mais devagar, mas sempre a fluir).
Aceite a Abundância que o Universo lhe traz. Confie e deixe-se surpreender.


Para ler as Notícias sobre Transmutação da Sandra Ingerman, clique aqui.

10/10/06

VOAR SEM BAGAGEM

"De alguma maneira, ter uma consciência mais abrangente, um pouco mais expandida, ter a certeza de que são alguma coisa para além daquilo que julgam que são - embora possam não saber concretamente do que se trata - ajuda bastante a desidentificarem-se dessa ondulação, dessa trepidação que não deixa o coração em paz.

Isso é, digamos, o estertor de todos aqueles atributos que, com tanta dedicação e enlevo, vos serviram no cumprimento da missão que se propuseram desempenhar.

Conviria que fizessem com esse invólucro, com essa casca, o mesmo que a borboleta faz com o casulo dentro do qual se transformou: sair dele a voar, não se interessando minimamente com o que deixou para trás.

Imaginando que todos os Humanos seriam capazes de fazer isso no mesmo momento, ou num curto lapso de tempo, ninguém sofreria. O que causa desconforto é o facto de alguns seres se desprenderem, saírem a voar do casulo, e os do casulo ao lado ficarem tristes porque não se atrevem a abrir as asas.

Quem sai a voar está alegre porque sabe que quem ficou sem voar, um dia voará; quem ficou sem voar está triste porque não acredita que um dia voará. Essa é a diferença.

Mas quem ganhou asas para voar não pode fazer outra coisa senão voar. Se era para ficar ali... para quê as asas?"

Canalização de Kryon, recebida por Vitorino de Sousa Sobre a Abertura do Chacra Cardíaco